O mundo empresarial está repleto de histórias de corporações bilionárias que começaram modestamente, instaladas em quartos estudantis ou porta-malas de carros, tendo como principal ativo as boas ideias de seus fundadores.

A Apple e a HP nasceram nas garagens de seus fundadores; o Facebook e a Dell, em dormitórios de universidades. Ideias, visão de mercado e atratividade dos produtos foram fatores cruciais para o sucesso, mas, além disso, em algum momento elas precisaram de crédito para crescer. Não há negócios sem investimentos.

Dados dos Bancos

No Brasil, fomentar o desenvolvimento de companhias é o grande diferencial dos bancos pequenos e médios que, assim, contribuem muito positivamente para a economia nacional, uma vez que mais de 40% dos empregos do país são gerados pelo setor.

A oferta de crédito acompanhou e ao mesmo tempo estimulou o crescimento da economia, contribuindo decisivamente para os bons indicadores que distinguiram o país no cenário mundial. Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) mais que triplicou nos últimos dez anos, melhorou a renda da população, que passou a consumir mais, dando sustentação ao crescimento do site da caixa.

Além de consumir mais, a população passou a empreender mais. Segundo o IBGE, apenas em 2009 nasceram ou renasceram quase 1 milhão de empresas em todo o país. Nesse mesmo ano, mais de 700 mil empresas também saíram do mercado. O saldo, ainda assim, foi muito positivo.

Instituições médias e pequenas têm expertise para atender empresas menores e entendem suas dificuldades

O que percebemos é que há, no país, uma enorme energia realizadora sendo carreada para a livre iniciativa. Mas é preciso potencializar essa força. O aperfeiçoamento das condições de acesso ao crédito pelas empresas, em especial pequenas e médias, é um deles.

A experiência mostra, por exemplo, que aquelas com alto grau de informalidade têm mais dificuldade em obter crédito por não conseguirem demonstrar a capacidade de gerar receita e de pagar contas.

Site dos bancos

Resultado: os bancos colocam menos dinheiro à disposição delas e a um custo mais alto, em função do risco elevado. Mudanças que venham a reduzir a carga tributária e os custos burocráticos teriam efeito muito salutar para a dinâmica do mercado, pois contribuiriam para aumentar a formalidade, azeitar o sistema de crédito e, como consequência, elevar os índices de sobrevivência e de sucesso. Esse ciclo virtuoso estimularia o empreendedorismo e fortaleceria a nossa economia desde suas raízes, tornando-a menos vulnerável às turbulências da economia mundial.

Nessa equação, os bancos pequenos e médios têm um papel singular. São instituições com as quais o middle market dialoga com mais facilidade – seja porque o atendimento é menos impessoal, seja porque são mais ágeis e acompanham a evolução do setor frente às alterações da economia, reconhecendo as dificuldades específicas.

Enfim, esse segmento tem um compromisso em longo prazo com seus clientes, fazendo com que adquiram um conhecimento sólido. Muito diferente das eventuais e passageiras incursões de curta duração, que mais refletem uma oportunidade mercadológica e a situação econômica momentânea.

Mas, apesar da constatação de sua importância para a economia, os bancos médios brasileiros vêm perdendo espaço. Atualmente, respondem por 25% do crédito concedido no país. Em 2001, era 30%.

Por outro lado, dados do Banco Central mostram que as cinco instituições bancárias com mais de 2 mil agências aumentaram a participação nas operações de crédito de 50,7% em 2006 para 68,7% em 2010.

Bancos Informações

Esse movimento revela o processo de concentração bancária que vem ocorrendo na esteira da globalização, fenômeno que embora tenha aspectos positivos, como a participação de organizações internacionais no sistema nacional, limita o acesso das pequenas companhias ao crédito especializado, dificultando ainda mais o empreendedorismo brasileiro.

Do ponto de vista conjuntural, as intervenções do Banco Central no mercado de crédito dependem, obviamente, de fatores momentâneos que se alteram frequentemente. As medidas de restrição ao crédito do final do ano passado (principalmente maiores requisitos de capital para instituições que financiavam o consumo a prazos mais longos) foram compatíveis com a situação de grande aquecimento da demanda daquele período. Levaram a uma acomodação do crédito, sem nenhuma interrupção brusca. Nesse sentido, foram extremamente prudentes e eficazes.

Agora, no presente, mediante alterações significativas do cenário econômico geral, sobretudo a deterioração das condições da economia internacional, percebe-se uma preocupação de percorrer o caminho inverso, ou seja, o de amenizar restrições, incluindo aí a queda da taxa básica de juros.

Embora não haja evidência empírica disponível, é possível que as intervenções conjunturais de manejo da oferta de crédito possam contribuir para o enfraquecimento dos bancos pequenos e médios e, assim, poderiam reforçar a concentração bancária.

O vai e vem das medidas prudenciais de conjuntura poderia afetar mais contundentemente o segmento, uma vez que eles teriam menos opções de alterar convenientemente o seu “mix” de produção. A experiência vivida pelos bancos “monoprodutores” de consignado no presente ilustra bem tal situação.

Assim, coloca-se mais um desafio para as autoridades econômicas. Compatibilizar, de um lado, as dificuldades da condução da política de crédito no curto prazo, e, de outro, a manutenção das condições de sustentabilidade de um sistema bancário diversificado e mais pulverizado, no longo prazo.

É fundamental a existência de bancos especializados no middle market que compreendem as dificuldades vividas pelo segmento e priorizam as empresas médias e pequenas por terem expertise para melhor atendê-las.

Desenvolvem produtos financeiros direcionados, e, principalmente, têm a rapidez para acompanhar as grandes transformações e o ciclo de vida que as empresas empreendedoras enfrentam em seu processo de maturação.

Essas instituições financeiras são essenciais para o desenvolvimento nacional por serem instrumentos de fomento e, consequentemente, de geração de emprego e renda.